O legado de Dorian
Matéria do Jornalista Mário Gerson publicada em 13/10/2012
Dorian Jorge Freire foi um jornalista incomum. Incomum porque, diferente de muitos de agora, preocupava-se em se informar de maneira exaustiva sobre os dramas do País que estavam sendo debatidos, de forma séria, por grandes jornais e grandes mentes brasileiras.
Nascido no dia 14 de outubro de 1933, em Mossoró, Dorian Jorge Freire era filho e neto de jornalista. Seu avô, João Freire, fundou, no Ceará, o jornal O Jaguaribe. Já o seu pai, Jorge Freire de Andrade, teve grande participação na vida literária e jornalística da cidade.
Dorian faleceu em 24 de agosto de 2005, mantendo o hábito de ler os grandes jornais, os autores do passado e os de agora, para os quais, algumas vezes, dirigia elogios, possivelmente a fim de que esses (uma boa parte) melhorassem aquele texto apresentado ao jornalista veterano.
Escritor, acima de tudo, de uma obra dispersa em jornais e revistas, Dorian deixou um importante legado literário e cultural, além de montar, durante anos, uma biblioteca rica que poderá ser encaixotada em breve.
Recentemente, vândalos invadiram a casa onde o jornalista viveu e conseguiram, segundo familiares, arrombar uma das grades da biblioteca. "Ainda bem que não eram vândalos que gostassem de livros", fala um dos filhos do jornalista, Luís Fausto.
Segundo ele, esta não é a primeira vez que vândalos tentam depredar o imóvel, apesar deste se encontrar fechado (e bem fechado). "Não levaram livros. Apenas encontramos algumas obras no chão. Não se interessaram pe
lo conhecimento", brinca, e destaca que está, juntamente com os irmãos, vendo a questão do encaixotamento das obras. "Ainda estamos pensando na questão do encaixotamento das obras. Isso evitaria muitas coisas como, por exemplo, a ação de cupins, que era um dos medos que tínhamos. No entanto, sabemos que a biblioteca, atualmente, não está com cupim. É apenas uma forma de evitarmos e antecedermos qualquer surpresa", frisa.
Sobre a casa, existem algumas ideias sendo pensadas, a fim de manter viva a memória do escritor, como, por exemplo, a transformação da residência onde ele viveu em casa de cultura. A ideia não é descartada e depende, também, de inserção em editais que visem à preservação do patrimônio arquitetônico e cultural.
Um jornalista com alma de escritor
Uma das principais características de sua obra diz respeito, certamente, a sua veia literária, cultivada desde o início de sua carreira, em 1948, no jornal O Mossoroense, ainda aos 16 anos de idade.
Recentemente, vândalos invadiram a casa onde o jornalista viveu e conseguiram, segundo familiares, arrombar uma das grades da biblioteca. "Ainda bem que não eram vândalos que gostassem de livros", fala um dos filhos do jornalista, Luís Fausto.
Segundo ele, esta não é a primeira vez que vândalos tentam depredar o imóvel, apesar deste se encontrar fechado (e bem fechado). "Não levaram livros. Apenas encontramos algumas obras no chão. Não se interessaram pe
lo conhecimento", brinca, e destaca que está, juntamente com os irmãos, vendo a questão do encaixotamento das obras. "Ainda estamos pensando na questão do encaixotamento das obras. Isso evitaria muitas coisas como, por exemplo, a ação de cupins, que era um dos medos que tínhamos. No entanto, sabemos que a biblioteca, atualmente, não está com cupim. É apenas uma forma de evitarmos e antecedermos qualquer surpresa", frisa.
Sobre a casa, existem algumas ideias sendo pensadas, a fim de manter viva a memória do escritor, como, por exemplo, a transformação da residência onde ele viveu em casa de cultura. A ideia não é descartada e depende, também, de inserção em editais que visem à preservação do patrimônio arquitetônico e cultural.
Um jornalista com alma de escritor
Uma das principais características de sua obra diz respeito, certamente, a sua veia literária, cultivada desde o início de sua carreira, em 1948, no jornal O Mossoroense, ainda aos 16 anos de idade.
Foi, segundo ele próprio contava, o redator mais jovem daquele jornal centenário. E com um pseudônimo assinava textos diversos, que iam de crônicas a pequenas análises da cena cultural da cidade.
Dava início, então, a uma carreira feita de sucesso, principalmente quando deixou sua cidade e partiu para São Paulo, onde exerceu a profissão e entrevistou grandes personalidades brasileiras, como o presidente Jânio Quadros, além de escritores renomados internacionalmente, como Aldous Huxley, Jean-Paul Sartre e Alberto Moravia.
De 1954 a 1961 foi repórter e colunista político da Última Hora, trabalhando ao lado de Werneck Sodré, Samuel Wainer e Nelson Rodrigues; depois, fundou e dirigiu, até o golpe de 64, o semanário Brasil, Urgente; trabalhou com Caio Prado Júnior na Revista Brasiliense, fundou e dirigiu, até ser fechada pelos militares, a Editora Sinal; foi repórter e redator das revistas Escola e Realidade, diretor do Diário de Natal, Tribuna do Norte e O Mossoroense.
Suas impressões literárias daquelas figuras da história podem ser avaliadas com a leitura de seu primeiro livro, impresso em 1991, sob o título de Os Dias de Domingo, organizado pelo escritor Tarcísio Gurgel.
Leitor voraz, membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras e da Academia Mossoroense de Letras, Dorian foi um típico exemplo de um jornalista que, para fazer a diferença, nunca deixava de incrementar seu texto com um viés irônico, literário, estético, daí a maneira singular com que noticiava e evidenciava coisas.
Essa mistura de jornalismo e literatura tornou sua escrita um prazer e um deleite estético para muitos leitores de seu tempo. Nela, podíamos encontrar suas preferências, notícias literárias, análises políticas, tudo de maneira rápida, econômica.
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